VAI, VEM de Eugénio Mourão


Vai!
Nada é o que sonhamos, é assim,
A vida nunca tem um endereço,
Mas tudo é o que em nós mora.


Vem!
E que esta nua paz de voltar,
Não seja por ódio de começo,
Mas por um querer sem ter fim.

Vai!
Não há no mundo outra crença,
Porque tudo vale sempre a pena,
Mesmo por aquilo que não foi.

Vem!
E o que magoa não te vença,
Por dar de ti o que não recebes,
Curas com amor a indiferença.

Vai!
Um dia, que a tua lembrança,
Desperte ao mundo a saudade,
Com duas lágrimas de criança.

Vem!
Nada é um estranho acaso,
Há em tudo uma razão de ir,
Mas no coração, fica sempre.

Eugénio Mourão.