Rotina, de Helena Rita.

Começa a ser rotina não te ver com os mesmos olhos… Num passado recente, podíamos até andar aos encontrões que não sentia a tua presença no espaço. Agora sinto a tua respiração a longas distâncias. É como se tivesse entrado em metamorfose, o meu estômago encheu-se de borboletas, recebi o seu olfato só para seguir o teu perfume que me atordoa; deixei a escuridão para encher o meu pequeno coração de algo, como se chama? Sim, amor.

Ainda não sei como lidar com isto, é demasiado fresco. As pernas fraquejam, tenho pequenos ataques cardíacos, o sangue percorre-me com tal lentidão que me sinto a perder os sentidos. A tua acelerada respiração complementa o meu dia-à-dia; não sei como, mas conseguiste arranjar espaço na caixinha que me mantém viva e, que à tua passagem permanece junto à boca. Mas sabes que significa? É um sinal de que quer exprimir os sentimentos existentes nela e apreendidos a sete chaves por mim. Eu continuo a mesma. Nada muda, a não ser este sentimento reprimido e oprimido, mas sensacional.

Por mais estranho que pareça, sejam dez ou duzentos metros que nos separam, o teu sorriso é contagiante; e o teu bom dia, por mais insignificante que seja para ti, consegue deixar-me a sorrir durante longas e demoradas horas. Permaneces vinte e quatro sobre vinte e quatro horas na minha imaginação. Em estilo de confidência, nos meus sonhos já somos casados e temos uma filha linda. Sabes o quanto esse mundo, a dois passos do real contribui para a minha felicidade? Pois, mas é a ideia de que todos os sonhos se podem tornar realidade, o que me faz andar de cabeça erguida.

Espero que um dia me compreendas.

Pertences-me, desconhecido.


Helena Rita

1 comment:

Anonimato quebrado said...

Muito obrigada pela oportunidade de mostrar um pouco do meu trabalho :)